04/01/2016

(ao antónio, o primeiro estóico que conheci)
o longe é uma pedra quente que se agarra.
quando era miúdo atirei uma dessas e atingi
a cabeça do antónio. hoje não sei nada dele
mas sei que esta educação pela pedra disse
então, como agora: quando violentamos
alguém, é o braço que não volta, não a pedra.
um insulto de criança, um instante com sua
raiz no mais sincero e infantil mal.

dente por dente. um poema não salda dívidas,
nem se pode esperar de um mestre como o mar
que nos tire de dentro da caixa torácica a pedra
instalada pela culpa. o joão cabral sabia da
dureza de certos homens. hoje sei: coisas
como uma pedra só dão fruto se deixarmos.
o antónio não deixou. ferido, ensinou-me.
depois do mar, o antónio foi o meu mestre.

só mais tarde vieram os músicos e os poetas.



amadeu liberto fraga

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