Inventário Incompleto
Há uma janela aberta sobre as fráguas.
Há um olhar descendo em cascata até ao vale.
Um barco largando o ancoradouro
e, ignorando meu poente,
lá vai subindo o Douro
como este nada querer rumo à nascente.
Há o inquebrantável poder da memória,
uma liturgia com travos de recomeço
a serpentear a evidência do fim.
E há uma ara entre a janela
e a melancolia da casa,
uma ara onde os sacrifícios atenuam
esta evidência que não se consegue dizer.
Há, no final da página, um ponto,
um ponto infinito como ditame
de qualquer deus que se oculta e diz.
E há também o grasnar dos gansos,
o sol a dar de chapa no vinhedo,
o rodar dos carros no asfalto...
Mas o que não há (nem nunca
poderá haver!) é a morte
desta qualquer coisa que não tem nome.
Victor Oliveira Mateus, in "Aquilo Que Não Tem Nome"
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20/12/2018
05/11/2018
No próximo sábado, 10 de Novembro de 2018, pelas 16 horas, Graça Pires apresenta a obra de Victor Oliveira Mateus; Victor Oliveira Mateus apresenta a obra de Graça Pires. Duas obras editadas pela Coisas de Ler na colecção de poesia Clepsydra. Será na livraria Ferin, no nº 70 da Rua Nova do Almada, Lisboa.
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