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23/11/2021

Duas cartas de Herberto Helder, datadas de 12 e 28 de Março de 1978, em que o autor agradece a intervenção de Eduardo Lourenço junto do Secretário de Estado da Cultura do II Governo Constitucional, António Reis, e fala de uma certa "Cobra" em rápida mutação.

 




daqui: http://www.eduardolourenco.com/textos/correspondencia/03-Herberto-Helder-12-3-1978.html

17/11/2019

     A ideia de que o que está mais próximo de nós no tempo é necessariamente mais interessante, e de que, por próximo, o compreendemos muito melhor é, em princípio, inteiramente falsa. Ninguém compreende do passado ou do presente senão aquilo que está preparado para compreender. E, a menos que tomemos por conhecimento uma massa de informações não-digeridas e que, em grande parte, podem ser irrelevantes, não sabemos necessariamente do presente mais e melhor do que de muito passado. O homem que se confinar apaixonadamente ao «presente», voltando as costas a um passado que lhe parece morto e sem relação com o seu próprio tempo, é aquele que mais apto está a sucumbir a todas as falácias que o passado legou ao seu presente. Em contrapartida, o interesse pelo passado não pode ser a tentativa absurda de nos transpormos para ele, nem a utilização demagógica dele.

Jorge de Sena, excerto inicial de Sobre o Perspectivismo Histórico-Literário, in "Dialécticas da Literatura", edições 70, pág. 179, Lisboa, 1973

14/10/2019

Harold Bloom ( 11.07.1930 – 14.10.2019 )

Quando dizemos que o significado de um poema pode apenas ser outro poema, podemos com isso querer dizer uma classe de poemas:

O poema ou poemas do precursor.
O poema que escrevemos como leitura nossa.
Um poema rival, filho ou neto do mesmo precursor.
Um poema nunca escrito – isto é –
o poema que deveria ter sido escrito pelo poeta em questão.
Um poema compósito feito de uma combinação
dos anteriores.

Um poema é a melancolia de um poema em relação à sua ausência de prioridade. O fracasso em se ter gerado a si próprio não é a causa do poema, visto que os poemas emergem da ilusão da liberdade, da possibilidade de um sentimento de prioridade. Mas o poema – ao contrário do espírito em criação – é uma coisa feita, e enquanto tal é uma angústia conseguida.

in "A Angústia da Influência" (trad. Miguel Tamen), 3ª ed. revista e aumentada, pp. 159-60, Lisboa, Cotovia, 2017

12/02/2018

"Cintilações: Revista de Poesia e Ensaio", Nº 2 fevereiro 2018





COORDENAÇÃO

Victor Oliveira Mateus

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CONSELHO EDITORIAL


Ana Cecilia Blum (Equador), António Carlos Cortez (Portugal), Daniel Gonçalves (Portugal), Hugo Pinto Santos (Portugal), José Ángel Garcia Caballero (Espanha), Leonor Castro (Portugal), Maria João Cabrita (Portugal), Maria João Cantinho (Portugal), Marta López Vilar (Espanha), Mbate Pedro (Moçambique), Mirna Queiroz (Brasil), Ricardo Gil Soeiro (Portugal), Risoleta Pinto Pedro (Portugal), Ronaldo Cagiano (Brasil), Stefania Di Leo (Itália), Victor Oliveira Mateus (Portugal).
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COLABORADORES DO PRESENTE NÚMERO
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poesia:
Adalberto Alves, Albano Martins, Alberto Bresciani, Alberto Pereira, Alfredo Pérez Alencart, Álvaro Mata Guillé, Amadeu Liberto Fraga, Ana Cecilia Blum, Ana Luísa Amaral, Ana Maria Puga, Anderson Braga Horta, André Domingues, António José Borges, António José Queirós, António Salvado, Artur Ferreira Coimbra, Cláudia Lucas Chéu, Cláudio Lima, Daniel Gonçalves, Everardo Norões, Gisela Ramos Rosa, Gonçalo Salvado, Henrique Levy, Inês Lourenço, Isabel Mendes Ferreira, Isabel Miguel, João Ricardo Lopes, João Rui de Sousa, José Ángel Garcia Caballero, José do Carmo Francisco, José Eduardo Degrazia, Josep M. Rodríguez, Leonor Castro, Licínia Quitério, Manuel Neto dos Santos, Maria Augusta Silva, Maria do Cebreiro, Maria José Quintela, Maria Toscano, Maurício Vieira, Myriam Jubilot de Carvalho, Pedro Lyra, Pedro Sánchez Sanz, Pompeu Martins, Ricardo Gil Soeiro, Rita Taborda Duarte, Rui Almeida, Sandra Lopes, Stefania Di Leo, Victor Oliveira Mateus.
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ensaio:
André Barata, César Freitas, Hugo Pinto Santos, Jaime García Mafla, José Cândido de Oliveira Martins, Maria João Cabrita, Nuno Brito, Pedro Marques Pinto, Rosa Alice Branco, Victor Oliveira Mateus.
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caderno:
Maria João Cantinho.
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crítica literária:
Hugo Pinto Santos.
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prosa:
António Ladeira, Luísa Venturini, Paulo Pego, Pedro Martins.


04/09/2017

O Texto da filosofia e a experiência literária

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A palavra texto tem vindo a ser a metáfora (espacial e têxtil) e o conceito que designa um artefacto verbal (e transverbal), um objecto transaccional ou comunicacional; um espaço, uma rede, ou uma tessitura onde o sentido se pluraliza; a partitura de uma polifonia; um acontecimento ou o «lugar» e os «tempos» de um encontro de horizontes.


Manuel Gusmão, in "Uma Razão Dialógica"

fotografia retirada do blog da extinta Angelus Novus