Herberto Helder, in Catálogo para Exposição Retrospectiva de Carlos Fernandes:
(através de: https://carlosfernandessurrealista.blogspot.com/2007/10/herberto-helder.html?view=classic)
Herberto Helder, in Catálogo para Exposição Retrospectiva de Carlos Fernandes:
Carta de Herberto Helder, provavelmente para o filho do artista plástico Carlos Fernandes, datada de 17.03.1992 (ou um breve "flash" que poderá iluminar um pouco mais certa passagem de certa obra):
Caríssimo Carlos,
O texto dactilografado que te mando junto não é inédito, mas eu nunca disse que se inspirou numa conversa com o Carlos Fernandes e, sobretudo, na visão quotidiana de um óleo de sua autoria, no meu apartamento da Marginal de Luanda, antigo atelier dele, Carlos. O segundo bloco da prosa, o mais pequeno, fornece uma breve mas suponho que conveniente explicação. Ignoro se este escrito convirá a uma catálogo de exposição que projectes fazer. A mim parece-me que a exposição deveria ser em grande, uma vasta e elucidativa exposição. Também não sei se há neste momento alguma possibilidade de fazê-la. Os trabalhos do Carlos que a Olga e eu temos ficam ao dispor, sob a condição evidente de que nos serão devolvidos logo após a "mostra", como agora se diz. Acho que o Cruzeiro Seixas tem obras do Carlos; aqui vai o seu endereço:
Artur do Cruzeiro Seixas
Rua da Rosa, 152 - 3º-dto.
1200 - Lisboa
Um abraço amigo do
Herberto.
Duas cartas de Herberto Helder, datadas de 12 e 28 de Março de 1978, em que o autor agradece a intervenção de Eduardo Lourenço junto do Secretário de Estado da Cultura do II Governo Constitucional, António Reis, e fala de uma certa "Cobra" em rápida mutação.
daqui: http://www.eduardolourenco.com/textos/correspondencia/03-Herberto-Helder-12-3-1978.html
Fonte
I
Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo —
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.
Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.
( . . . )
in Revista/antologia/caderno "Búzio", organização de António Aragão, pág. 15, 1ª ed. (e única), 1956, Funchal
Herberto Helder, in "Retrato em Movimento", pág. 25, 1ª ed. (e única), Editora Ulisseia, maio de 1967
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